25 março 2006

A declinação e os casos em latim


A origem da fama de "difícil" que o latim apresenta certamente se deve ao sistema de flexão nominal, a que damos o nome de declinação. A flexão verbal não nos causa grandes dificuldades, uma vez que são grandes as semelhanças com o português.
Sendo assim, convém que nos detenhamos um pouco sobre a declinação em latim e seus diferentes casos, uma vez que é sobre esta base que todas as nossas leituras futuras se assentarão. Se, por um lado, o Reading Latin prevê que consigamos alguma fluência de leitura (deixando o "gramatiquês" de lado), por outro, a análise sintática estará sempre implícita quando lermos algum texto.
Os casos, em latim, são seis: nominativo, acusativo, genitivo, dativo, ablativo e vocativo. Essa terminologia deriva da longa tradição dos gramáticos latinos, que por sua vez a derivaram da gramática grega, desta traduzindo e adaptando termos e conceitos.
O nominativo é o caso do sujeito ou do predicativo do sujeito.
Exemplos:
Euclio senex est.
Phaedra filia Euclionis est.
Staphyla serua est.
Dauus seruus est.

O acusativo tem como função principal a de complemento verbal, a que denominamos objeto direto em português. Os exemplos vistos foram vários:
Demaenetus neminem uidet.
Demaenetus coronam et unguentum portat.
Euclio coquum et tibicinam uocat.
Euclio ianuam pulsat.

Além disso, diversas outras funções do acusativo ainda serão vistas ao longo de nosso curso. Por enquanto, vimos apenas a de adjunto adverbial de lugar para onde (dando a idéia de movimento), quase sempre acompanhado de alguma preposição. Exemplos:

Euclio in scaenam intrat.
Euclio ad ianuam appropinquat.
Euclio in aedis intrat.

O genitivo é o caso do complemento restritivo entre nomes. Na gramática portuguesa, damos a esta função o nome de adjunto adnominal ou de complemento nominal. Como dissemos em aula, o latim não faz esta diferenciação. Com algumas raras exceções que veremos mais adiante, o genitivo é sempre adnominal. Exemplos:

Staphyla serua Phaedrae est.
Phaedra filia Euclionis est.
Nuptiae filiae sunt.
Serui nomen est Dauus.
Seruae nomen est Pamphila.

O dativo é o caso do interesse, seja ele positivo ou negativo. Quase sempre corresponde, na tradução, a um objeto indireto, sendo este o motivo de algumas gramáticas, sobretudo as mais antigas, referirem-no como o "caso do objeto indireto". Esse é um truque que na maior parte das vezes funciona, mas tem o problema de se pautar na tradução, não na língua estudada, e de por vezes provocar leituras errôneas.
Exemplos:

Euclio Lari unguentum dat (positivo).
Euclio Lari unguentum aufert (negativo).

O ablativo apresenta três funções básicas (depois veremos muitas outras): instrumento, adjunto adverbial de lugar londe (locativo) e adjunto adverbial de lugar de onde (origem ou separação). Destes, vimos, por enquanto, o uso do locativo:

Euclio in aedibus habitat.
Thesaurus in fouea est.

Enfim, o vocativo (de "vocare") é o caso do chamamento. Com poucas exceções que veremos mais adiante, ele tem sempre a forma do nominativo, sendo por isso omitido das tabelas de declinações.
Exemplos:

O Lar, te oro et obsecro.
Cur statis, Daue et Pamphila?
O Lar, tutela meae familiae, aulam serua!

Sobre a seção 1A, conferir ainda post do ano anterior, "Língua Latina I - Seção 1A".