30 Outubro 2005

Salústio, A Conjuração de Catilina § 11


11 Sed primo magis ambitio quam avaritia animos hominum exercebat, quod tamen vitium propius virtutem erat. Nam gloriam, honorem, imperium bonus et ignavus aeque sibi exoptant; sed ille vera via nititur, huic quia bonae artes desunt, dolis atque fallaciis contendit. Avaritia pecuniae studium habet, quam nemo sapiens concupivit: ea quasi venenis malis inbuta corpus animumque virilem effeminat, semper infinita, insatiabilis est, neque copia neque inopia minuitur. Sed postquam L. Sulla armis recepta re publica bonis initiis malos eventus habuit, rapere omnes, omnes trahere, domum alius, alius agros cupere, neque modum neque modestiam victores habere, foeda crudeliaque in civis faciniora facere. Huc accedebat, quod L. Sulla exercitum, quem in Asia ductaverat, quo sibi fidum faceret, contra morem maiorum luxuriose nimisque liberaliter habuerat. Loca amoena, voluptaria facile in otio ferocis militum animos molliverant. Ibi primum insuevit exercitus populi Romani amare, potare, signa, tabulas pictas, vasa caelata mirari, ea privatim et publice rapere, delubra spoliare, sacra profanaque omnia polluere. Igitur ii milites, postquam victoriam adepti sunt, nihil reliqui victis fecere. Quippe secundae res sapientium animos fatigant: ne illi corruptis moribus victoriae temperarent.

Ora, primeiramente, a ambição, antes que a avidez, inquietava os ânimos dos homens, embora tal vício estivesse mais próximo da virtude. É que o bom e o indolente igualmente buscavam para si a glória, a honraria, o poder; mas aquele esforça-se pela via verdadeira, por faltarem a este os bons dotes, luta por enganos e mentiras. A avidez contém em si o desejo de dinheiro, o que nenhum sábio anseia; ela, como que impregnada de maus venenos, efemina o corpo e o ânimo viris, é sempre infinita, insaciável, não diminui com a riqueza ou a pobreza. Ora, depois que L. Sila tomou o poder e fez que a bons inícios seguissem maus resultados, todos roubam, saqueiam, este deseja uma casa, aquele, terras, os vencedores não têm medida ou moderação, cometem, contra os cidadãos, crimes terríveis e cruéis. A isso somava-se o fato de L. Sila, contra os costumes dos antepassados, manter o exército que comandara na Ásia, para que lhe fosse leal, em meio ao luxo e à excessiva libertinagem. Paragens amenas, aprazíveis debilitavam facilmente, na paz, os bravos ânimos dos soldados. Então por primeiro o exército do povo romano acostumou-se a fornicar, beber, admirar estátuas, pinturas, vasos trabalhados, saqueá-los privada e publicamente, espoliar os santuários, macular tudo o que é sacro ou profano. Esses soldados, então, depois de alcançar a vitória, nada deixavam aos vencidos. Se coisas prósperas atormentam os ânimos dos sábios, tampouco eles, com seus costumes corrompidos, teriam moderação na vitória.